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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sobre crescer


Tudo bem. Eu sei que eu só tenho 16 (se você não sabia, pois bem, agora sabe) anos e para muitos, ainda sou considerada apenas um bebê. Um bebê recém-nascido que nem sabe o que o verbo crescer significa. Até consigo ouvir minha mãe falando “você nem conheceu a vida de perto ainda”. Mas, juro que na minha cabeça sou muito mais do que isso, – ainda bem né, maturidade é sempre bem-vinda – bem mais do que apenas uma adolescente confusa.
E como posso não conhecer a vida ainda? Todas essas responsabilidades, esses sentimentos esquisitos, esses amores estranhos, essas músicas ocupadoras de vazios, escola, lidar com pessoas de perto, estudar cada vez mais, futuro, etc. Ufa! Foram apenas uma amostra grátis do que está por vir? Se sim, o que mais está por vir? Não pode ser.
Dezesseis anos é alguma coisa. Eu sei que sim. Todas as idades são. De 0 a 100, não importa, é sempre uma aula da própria Dona Vida que dura por um ano.
Sei lá, em cada idade que eu estive, as coisas sempre pareciam estar encaixadas no lugar adequado e de certa forma com um certo equilíbrio. Eu conseguia aceitar a idade que eu tinha sem problemas nenhum.
Não é como se eu fosse do time “anti-dezesseis”, mas, digamos que eu sou do time “dezesseis-quase-dezoito-caramba-liberdade-uhul-e-agora-eu-faço-o-que?”.
Antes tudo parecia ser mais fácil, vai. Parecia? Aliás, era.
Antigamente aniversários eram coisas bem mais interessantes e coloridas. Representavam uma união bem maior e simbolizavam um conhecimento mais íntimo. Não havia nadica de nada de Facebook criando a íntima para alguns perdidos nomeados de “amigos”. Mesmo assim, sou muito grata por essa rede social (calma Twitter, você sempre será o primeiro e o único para mim).
Voltando ao ponto, eu aceitava a idade que eu tinha sem ter muita pressa para crescer. Ok, talvez não. Eu sempre queria poder assistir um filme para 12 quando eu tinha 10 ou até então entrar num brinquedo cuja a altura necessária para andar eu só teria de um á dois anos mais tarde. Droga.
Hoje em dia, eu gosto de ter dezesseis, mas é tão próximo de dezoito e ao mesmo tempo tão distante, que  acaba sendo rotulada disso e não realmente nomeada por algo x dessa idade. Sei lá, não sou nenhuma especialista em números.
Mas só para ser bem honesta, quem não quer ter 18? Essa daí sim tem um grande e gordo rótulo: Faculdades, pessoas mais velhas, dirigir, ter asas maiores e ser oficialmente o dono do próprio nariz. Para mim tudo isso é uma enorme representação de liberdade. Ah, mas calma. Essa são as partes boas, é claro. A pressão, a organização e a independência estão logo ali virando a esquina também. De salto agulha de preferência, pra dar aquela pisadinha básica no nosso dedo mindinho com mais vontade.
Para falar a verdade, nem sei o que essa tal idade dezoito significa, afinal, nem cheguei lá. Mas para quem está apenas a algumas casas distantes, parece um pote de ouro.
Sei que essa pressa de crescer é meio inútil, afinal, aqui estou eu reclamando e mesmo assim minha idade permanece a mesma desde quando eu comecei a escrever esse texto. Mas a verdade, é que para mim a adolescência é um grande caos.
Ela é um grande tornado que gira constantemente, e que as vezes suga algumas grandes doses de felicidades, mas também é viciada em sentimentos confusos e coisas amargas.
E disso eu já estou bem familiarizada.
Eu quero mais. Sempre quero mais. Quero voar longe. Queria realmente sair e pegar o carro na hora que eu quisesse nem que se fosse para apenas comprar uma casquinha de creme. E sem hora pra voltar. Queria, sei lá, não sei o que eu quero.
Crescer é um pouco disso, não é? Descobrir as coisas com o tempo. Talvez seja isso o que eu procuro. Não necessariamente a idade dezoito, mas sim mais clareza e independência. Quando o tempo me disser, eu digo a você, e se ele te disser primeiro ou até se já disse, me avise. Pode até ser pelo Facebook no meu aniversário, não vou me importar.