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domingo, 20 de janeiro de 2013

O ponto final



Esses dias eu lembrei de uma música que me definia muito quando eu gostava de você. Todas as vezes que eu a colocava novamente no replay, eu apenas sorria e achava engraçado esse "movimento repetitivo". Porém, já faz um tempo que isso mudou, mudou para melhor.
Se eu mostrasse para alguma amiga minha que estava ouvindo essa música aposto que uma delas falaria "Nossa, você desenterrou essa daí, né?". Não falariam isso por saber que se tratava de você e porque sabem que agora você estava no meu passado, na verdade, elas não pensariam em nada de verdade, só pensariam que a música era de pelo menos 2005.
É até meio irônico elas não saberem relacionar direito que a música era ligada a você para mim. É irônico porque o nome da música é "The Things I'll Never Say". Não era de propósito eu não falar nada a elas, talvez. Acho que não vou lembrar se era ou não porque decidi apagar tudo da memória, esquecer essa ligação e simplesmente seguir em frente. Você foi apagado também. Mas, foi para a melhor, como eu disse.
Lembro de todas as vezes que alguma festa se aproximava eu torcia para que você fosse. Eu imaginava momentos antes de terminar de me arrumar, em casa ainda, se você faria tudo o que você sempre fazia todas as vezes em todas as festas. Você não mudava, era engraçado e talvez um pouco trágico. Engraçado porque era previsível, e trágico porque era previsível também, mas também porque você nunca chegava com algo até o fim, ou porque ninguém fazia nada quando ainda era cedo e poderia dar tempo de algo mais intenso acontecer, ou porque era só legal se provocar e curtir o momento, ou porque, sei lá, você nunca realmente me disse. Seu abraço, seu riso irônico, era legal quando você baixava a guarda e ficava longe dos seus amigos idiotas e falava um "oi", ou conversava, ou sei lá. Era sempre esse mistério chato, ás vezes falso, ás vezes desgastante, ás vezes que não significava nada para você.
Não sei porque quis escrever esse texto. Acho que talvez porque todos os textos que já escrevi te tratavam como um cara incrível, apaixonante e sensacional. E outros, você era terrível, ridículo, egoista, e uns adjetivos bem piores do que esses. Na verdade, não sei direito qual desses você realmente é. Acho que pelo menos um bom e um ruim desses descritos com certeza você pode ser. Mas, percebi que nunca escrevi um texto "neutro" que não diga nada de você, só diz um pouco de mim e do que eu senti.
Agora, você não é nem bom, nem ruim. Não trás mais nada que se tornará uma memória legal ou que me faça chegar em casa, jogar os sapatos no chão e deitar na cama no escuro, olhando para o teto e revivendo tudo novamente na minha cabeça o que aconteceu. Nada que fará eu comentar com uma amiga ou até com a minha mãe.
Você é você, sabe? Passou. Foi um tempo longo, eu admito, mas passou.
Acho que não há mais nada para se dizer, e finalmente acabou, você é agora um ponto final. E somente isso.